sexta-feira, 1 de março de 2013

Algumas observações sobre a Polônia


Algumas observações sobre a Polônia


Conheci Cracovia por dois dias, visitei Auschwitz na mesma época também. Morei teoricamente por 2 meses em Wroclaw. É que não foram exatos dois meses contando os momentos dentro deste período que estive fora de lá conhecendo outros lugares. Vive por 5 dias em Brzeg e Lubza. Não sou especialista em Polônia e nem pretendo ser. Mas gostaria de compartilhar algumas curiosidades que vi, impressões que tive e me chamaram a atenção desse país, que totalmente de repente, depois do Brasil, tornou-se para mim o centro do mundo. Algumas já citei no meio de publicações aqui, outras conto agora. Já que são muitas informações, farei em tópicos para facilitar, copiando alguns trechos do meu diário de viagem.


Jéssica Godoy





Cracóvia (a cidade mais turística) x Wroclaw (a quarta maior cidade polonesa



- Todo mundo fala de Cracóvia e a cidade parece mesmo ter mais monumentos importantes preservados. Mas não só porque vivi em Wroclaw e estaria puxando sardinha, mas para mim é a cidade mais encantadora e jovem da Polônia. Dados que os poloneses do projeto enviaram para nós revelam: a cada 15 pessoas, uma é jovem. O que facilita e muito a comunicação. Jovens falam, pelo menos, o mínimo de Inglês. Mas não é impossível e é até educado aprender pelo menos um “obrigado” em Polonês. Em último caso, linguagem corporal e interjeições também funcionam. E nós brasileiros também deveríamos exigir o mínimo de esforço por parte dos estrangeiros. Mal chegam aqui, a gente faz de tudo para recebê-los com o Inglês/Espanhol, é a nossa Língua, é a nossa identidade, vamos aprender a valorizar? Aquela Ilha, com a Igreja (que dá pra subir e ver a vista da cidade) e a ponte dos cadeados é de tirar o fôlego! Fora o Zoológico, o Jardim botânico e o Jardim Japonês que ficamos sem conhecer por causa do inverno. 





Wroclaw: 



- A cidade no início de tudo era polonesa, passou ao domínio do reino da Prússia que depois criou o Império aAlemão. Pertenceu à Alemanha até o final da Segunda Guerra, quando deixou de ser Breslau e voltou a levar o nome que tem hoje, Wroclaw. 



- Cidade dos gnomos! 



- A mais quente da Polônia. Duas vezes quando fiquei sabendo da temperatura pegamos por volta de -15ºC na madrugada. Durante o dia, a temperatura ficava sempre em torno de -3, -4ºC graus durante Dezembro e Janeiro. 

- A rua das baladas: ótimo para os jovens que gostam de curtir a vida noturna, com uma notícia mais do que ótima: são de graça! E quando pagas, é coisa de 5 zloty, mas mulher; homens pagam o dobro do ticket feminino, quando a casa noturna é paga. O bom disso? Se você não gostar do ambiente, pode sair e entrar na balada do lado, até encontrar aquela que te agrade. Músicas muito boas, Eletrônica, Pop /Rock. Um fato curioso, apesar de ter grupinhos dançando juntos como no Brasil, eles dançam mais em pares, como nas brincadeiras dançantes, festinhas de garagem da época dos nossos pais! 

- Outro point é o Przedwojenna (Chevoiena) e Ambasada – bares com estilo de pré Segunda Guerra e preços mantidos daquela época. No Chevoiena é 1 Euro a bebida, mas só aceita em Zloty (4 Zloty) e 2 Euros a comida (8 Zloty). 

- Muitas pontes! Não é à toa que a cidade é conhecida como a Veneza fora da Itália. Sejam curtas ou extensas, elas realmente cortam a cidade quando você menos espera. 

- A Cuca é o Dragão. Em uma aula que falei sobre folclore, uma professora contou isso e achei tão interessante na hora que julgo válido constar isso aqui também. 

- O melhor transporte da cidade? Bonde! O chamando Tram por eles. Compra-se o ticket dentro dele com um cartão internacional. Tem linguagem em inglês e você valida ele em uma maquinha ali dentro mesmo. Mas é chato dizer isso? É, mas é a verdade. A fiscalização não é muito exigente, como nos outros países que visitamos e foi inevitável comprar. Comigo aconteceu duas vezes de fiscal me pedir. Mostrei o ticket sem validar, a pessoa me xingou um pouco em polonês e ficou por isso mesmo. As duas situações tensas envolvendo a Favela foi com o grupo de trabalho da neozelandesa e com a brasileira. Com o primeiro, a fiscal falava em inglês e quis cobrar a multa. Depois de muita conversa ela deixou passar, mas alertou que da próxima vez não teria escapatória. No caso da brasileira, o fiscal pediu o passaporte dela quando ela não apresentou o ticket e ela abandonou o bonde na próxima estação correndo, para que ele não a alcançasse. Apesar disso, não deixamos de dar a clássica migué e antes que você nos critique, o ticket para um dia inteiro era 5,50 Zloty e, na maioria das vezes, pegávamos para irmos à escola e não seríamos ressarcidos o valor pela ONG, tudo bem que não constava mesmo na vaga, mas mesmo se constasse nem os outros foram cumpridos direito, então... 

- Nos ônibus e bondes muitas pessoas lendo livros (tradicionais ou em tablets) ou estudando (só via livro de química!). 

- Os ônibus intermunicipais e internacionais são péssimos. As duas companhias que fazem Bauru até São Paulo que foi mais ou menos o tempo que demoramos dentro dessas viagens que fizemos em ônibus é 1000 estrelas! Os ônibus não inclinam muito. Se você não chegar 20 minutos mais cedo do horário, mesmo que já tenha comprado sua passagem antes, fica sem lugar! É isso mesmo, as passagens continuam sendo vendidas até que o trem parta, os passageiros tendo lugar pra sentar ou não. Quando íamos pra Praga, o João ficou sem lugar. No final, a companhia liberou outro ônibus. Sorte dele! Ninguém merece na noite anterior ter dormido no Aeroporto (acrescentam-se aí eu e Doug), passar o dia do aniversário correndo atrás de compras para o Ano Novo e depois passar mais uma noite dormindo na escadinha do ônibus! Pensou que o quê? Só porque é Europa é a viagem dos sonhos? Mochileiro não tem mordomia não. 

- Um transporte muito eficaz e barato de uma cidade para a outra quando das redondezas é o trem! Com aquelas cabines, dá até pra se sentir no filme do Harry Potter, mas adaptado para as terras polonesas. 

- Em qualquer lugar o suco era QUENTE e a salada era DOCE! Eu amo salada, mas no começo: que coisa mais horrível! Lanchonete? Só tinha doce! Se pensou que iria encontrar aquela coxinha ou aquele salgado maravilhoso, estava enganado. Quando visitávamos o museu na antiga fábrica de Schindler, ao final, morrendo de fome, uma cantina! Olhos brilharam até descobrir que não tinha uma coisa sequer salgada. Uma curiosidade: raramente você vê um polonês acima do peso! Gente adaptada é outra coisa! E eu engordei 7 quilos, mas já emagreci dois! Aeee! 

- Entre Dezembro e Janeiro: sol por alguns raros momentos (aquilo nem pode ser chamado de minuto). Talvez para ironizar a Favela ou judiar mesmo com ausência dessa estrela que fez gente, como eu, sonhar durante a noite que estava recebendo seus raios no Brasil na presença de mamãe, apareceu por bons minutos no último fim de semana que estive em Wroclaw. 


Polônia geral:

- Auschwitz resumiria em uma frase: "se o inferno existe, com certeza é gelado!" Sem dúvida, foi o dia que mais passei frio na minha vida!

- Ir para outras cidades polonesas parece não ter saído do lugar. As cidades de lá parecem ser todas as mesmas! Ruas sem buracos, calçadas planas, arquitetura semelhante, culinária igual (sem graça comparada à comida brasileira – mas aí é golpe baixo também!). 

- O frio com neve e sem neve na Polônia é realmente muito frio! O calor incomoda, o frio dói, faz você perder a sensibilidade de tato da mão, dos pés! Parecem até que vão congelar e “cair duros” no chão. 

- País tradicional, pessoas, em geral, educadas, solicitas e extremamente hospitaleiras. Mesmo nas lojas sempre fazendo de tudo para melhor atender. 

- Você identifica em qualquer lugar do mundo se é um polonês quando começa a falar, a todo instante soltam: tak, tak (sim), dobra, dobra (bem) 

- Pessoas muito parecidas! Parecem que são de uma mesma família. Até o nariz é idêntico. Só conhecendo mesmo pra se espantar com a semelhança e achar isso no começo algo muito estranho (ainda mais pra quem convive em um país com tanta diferença étnica). 

- Os carros, 99% dos casos que vi, pararam para o pedestre passar! Quando cheguei, meu buddy, a Christine e a buddy dela atravessaram e eu fiquei em pânico achando que o motorista iria atropelá-los! Às vezes lembrava, mas fui embora sem me acostumar. É bom mesmo não ter me acostumado, porque no Brasil a realidade é bem diferente. 

- Poloneses bebem muito! Achava eu que marca brasileira fosse forte! Piada. Tiskie e Lech são as cervejas mais baratas e as mais bebidas por eles nas reuniões em Rep e na Favela e são muito fortes. Você só percebe isso quando se sente bêbada depois de beber dois copos! Tudo bem que só depois eu percebi que eles eram de meio litro cada um! E também quando volta, bebi alguma marca brasileira e sente que foi diluída em água. Vodka? Wiborowa é a melhor! Tomam em dose pura e dá uma boa esquentada! Soplica a melhor de sabor! Trouxe dois exemplares desses para o Brasil. 

- O ensino público das escolas é melhor que no Brasil e as aulas de inglês também, talvez até melhor que muito curso particular e de nome! Lá é voltada totalmente para a fala! Outro foco! Quando os jovens terminam a fase escolar, pelo menos no básico sabem se virar. E isso ajuda o país em muito. Melhorou a capacidade de falar inglês entre a nação? Melhora o turismo como um todo, por exemplo. Brasil, vamos lá? 

- Em alguns restaurantes, além do inglês, encontra-se cardápio em várias línguas, menos no Português! Às vezes eu acho realmente desvalorização por parte dos falantes da nossa Língua. Poxa, vamos rever algumas aulinhas do colégio? O Português é a terceira língua mais falada no mundo ocidental. Aí podem me virar e perguntar: só Brasil e Portugal. Resposta: temos ainda a África. E aí soltam aquele preconceito: e a África conta? Bem, não podemos esquecer que mais do que um país continental, só no Brasil temos quase 200 milhões de falantes de Língua Portuguesa. Vamos repensar com carinho sobre a riqueza da nossa língua materna! Sim, podemos ser fluentes em várias Línguas, mas nativa, pelo menos, a maioria dos falantes de Língua Portuguesa é só nela! E não foi um, ou dois, mas vários disseram que a nossa Língua é realmente linda de escutar, parece que quando falamos, cantamos! ;D 

- São prestativos entre eles. Um senhor bêbado foi ajudado por três pessoas em momentos diferentes enquanto eu esperava por um bonde. 

- Apesar de o divórcio estar se popularizando lá, eles primam muito pela constituição de família e casamento. 

- Outro fato curioso, mas óbvio: a propaganda do chip de celular que usei lá era a melhor: casal loiro, pele bem clarinha, olhos claros! Se você for moreno como eu, sente-se de outro mundo inevitavelmente! 

- Eles adoram cogumelo e é achado facilmente nos supermercados. 

- Não há muita variedade de frutas e verduras. Alface e acelga, pimentão, cebola, tomate, maça e uva você vai encontrar sim!

- Não bebem muito água "normal", digo, sem gás e sem sabor! Tomam muuuuuito chá e o dia todo! Nas escolas não existia bebedouro! Algumas vezes pedi água e a professora me trouxe com uma fatia de limão dentro...

- O prato mais popular? Pierogi! Uma massinha em formato de meia lua, recheada (vários tipos), frita ou, mais comum, banhada no óleo com cebola. Vem, geralmente uma sopa de entrada, e as comidas não tem muito variedade em um mesmo prato. A não ser que você vá a um self service, em um RU (como nós comemos em alguns dias) ou em um restaurante de culinária internacional. Além de fast-food, comida italiana, georgiana (em Wroclaw tem um delicioso próximo a Main Square) e mexicana também são encontrados.

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