O longo suspiro de 10 dias intrínseco ao curto transpiro de 62
Parte II
Vamos ao que interessa: Berlim! No domingo eu, João e Léo pegamos o trem por volta dia e meia para a capital alemã. O motivo do restante só ter ido no dia seguinte? Nós três compramos a passagem momentos antes da reunião de sexta, sim, revelo um segredo: tomei minha decisão antes da reunião! E, por isso, conseguimos o ticket promocional.
No trem, conhecemos dois franceses nascidos em Paris. Um deles, filho de portugueses. Os dois moraram pelo mesmo período no Brasil, mas por motivos diferentes: um para estudar em São Paulo e o outro na casa da família no Rio de Janeiro. Falavam muito bem o Português; o filho de portugueses, talvez também por ter morado no Rio, com um sotaque que não sabíamos distinguir se era carioca ou português. É claro que trolamos um pouco eles com gírias e expressões que só um nativo saberia, mas foi bem interessante e nos rendeu boas gargalhadas, até cumprimentá-los em francês, a única coisa que eu sei nesta língua, fiz, pra compor o tom de amizade e brincadeira que cabia à ocasião.
Quando parei de falar, algo raro, e comecei a cair no sono, dei um grito: Rena, rena! Havia renas na estrada! Uma fofura, meu sonho de Papai Noel havia se concretizado ali hahahaha Depois usina Eólica, algo que nunca havia visto pessoalmente.
Foi ótima a estadia em Berlim. Até tenho um vídeo de quando estava morrendo de frio andando por um parque do lado da Berlim Oriental (e a cada dez minutos entrávamos em alguma loja para nos aquecer!).
Já causamos no primeiro dia! Não conseguimos comprar o ticket do metro na estação que estávamos. Solução? Se aventurar no metro, na maior cara dura, rezando para que um fiscal não brotasse! Sim, sem ticket! Hahahahaha Ao invés de descermos na próxima estação e comprarmos, andamos umas seis estações até o destino que queríamos. Que aventura! A cada estação, por dentro, um trilhão de palpitações por segundo na expectativa de que nenhum fiscal entrasse, por fora, a maior cara lavada de quem comprou ticket para dar e vender. Entre andanças, vimos o primo rico do Arcady, carro elétrico e entramos numa loja como quem finge procurar por algo só para nos aquecer. No retorno ao hostel, conseguimos comprar, finalmente, o ticket e entramos no metrô. Batata! Mal sentamos, a fiscal toda marrenta, entrou correndo no metrô, mostrando o crachá e dizendo em tom de ordenação: “ticket, ticket”! Não haveria escapatória! Mostramos com gosto! Hahhaha A multa, se não me engano era 40 euros, não mais salgada que a de Londres, que não lembro exatamente, mas era bem mais cara, tirando o fato de ser em Pounds... Outro dia, vimos um malandrinho querendo dar um de esperto com o fiscal, só era malandro, porque o único esperto foi o fiscal que o multou.
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| Olha o primo rico do Arcady aí minha gente (em referência ao shopping em Wroclaw) |
Entre um free tour que experimentei quase um frio de Auschwitz, que para mim o mais interessante foi ter ido no famoso muro de Berlim que o guia fez a questão de nos levar a uma das ruínas mais sem graças (mas depois descobrimos a parte pintada). Mas vimos também aquele portão famoso, um hotel praticamente na frente dele que já hospedou várias estrelas, outros monumentos famosos, dois inclusive iguais, a casa onde Hittler se suicidou, o memorial em homenagem aos judeus... Um pub crawl alternativo (e furado!) hahaha Favela sempre nas ciladas (falling in a trap!). Essa do pub crawl merece um bom parágrafo.
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| E a neve tem forminha |
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| No memorial aos judeus |
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| Johnny e eu |
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| Entre o Oriente e o Ccidente |



O pub crawl que iríamos pegar era o das 20h. Aquele havia sido o dia cansativo do Free Tour. Mas perdemos o horário e pegamos, segundo o recepcionista do hostel, um pub mais legal, o alternativo, às 21h. O primeiro bar lembra um estilo indiano, mas as mesas lembravam a de um cassino (nunca entrei em um, mas imagino como seja devido a filmes). O segundo, totalmente mórbido, um bar vampiro! Bonecos de morcego, esqueletos, beeem sinistro! A essa altura eu já estava quase dormindo na mesa. Legal, mas não é um lugar que eu iria sempre com meus amigos. O outro, nem lembro direito! Hahaha Nesse meio tempo, fiz amizade com outras australianas que estavam no mesmo Pub Crawl que a gente e estavam hospedadas no mesmo hostel. Aí uma balada que só tocava psy! E só tinha o pessoal do Pub Crawl. Por último, quando já era quase meia noite, fomos levados a uma balada muito longe. Tudo isso pegando metrô! Parecia que estávamos num gueto. Na balada, suuuper baixo nível, só tocava discoteca dos anos 70! Aquele cheiro de cigarro comumente, mas o que não foi o pior: uma briga começou no meio do salão! Fomos embora nem com uma hora de balada! A australiana, pra ajudar, deu trela pra uns supostos alemãs que começaram a acompanhar a gente! E ainda mais pra piorar: não havia mais meio de transporte, a não ser taxi! A torre perto do hostel, nosso ponto de referência, parecia estar perto, pura ilusão! Andamos mais de uma hora na neve até chegar lá, no caminho, a gente cantando Beez in the trap da Nicki Minaj, Favela always in a trap! Eu com uma alergia no corpo terrível sem ter remédio na mala e a australiana atacando neve no meu rosto! Foi lindo, meu humor também! Hahahahaha Sorte que a colombiana tinha um medicamento na bolsa e me deu quando chegamos. Não foi tão ruim quanto possa parecer, muita conversa boa, risadas e é o que eu sempre digo: a companhia faz o lugar! Favela sempre Favela! E lembrar de tudo isso depois é divertidíssimo. O quão boring seria toda essa viagem sem as ciladas, sem os problemas, sem os imprevistos! Perfeito é ter tudo isso junto e misturado!






Das estações de trem em alemão, só lembro da AlexanderPlatz que era onde fazíamos todas as baldeações. Em um dos dias o Johnny levou a gente até uma rua super famosa e linda, inclusive a rua do Hard Rock de lá. E a gente? Só gastando com roupas, souvenir, Lindt e cerveja alemã! Eu, Tati e João pedimos um Eisben e uma cerveja alemã que não lembro agora, mas começava com W, eu acho! 13 euros só o prato, caríssimo, mas não podíamos deixar de experimentar o famoso prato, veio sauerkraut e um pedaço de porco com osso, mas a carne estava avermelhada por dentro, que por sinal, achei horrível. Outro dia no restaurante do hostel experimentei o famoso Currywurst, a salsicha alemã;



Ao estender nossa estadia em Berlim, tivemos que mudar de quarto. No primeiro, fizemos amizade com duas chilenas e eu e o Léo pudemos treinar o espanhol. Na quarta, farra na Favela que montamos em Berlim! Louise queria sair à noite, mas estávamos completamente mortos! Léo disse que ela teria que fazer todo mundo levantar de uma só vez. Pra que, a bichinha é esperta! Abriu a janela e do lado de fora nevava muito! A Tati foi a primeira a correr soltando gritinhos pelo quarto. Foi um sarro só, apesar de querermos matar a australiana nesse meio tempo!
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| Favela em Berlim momentos antes da Louise escancarar a janela |
Na quinta pela manhã, as tão temidas despedidas: Tati e Léo seguiam para Veneza. Na sexta, eu, Johnny e a Colômbia, voltamos a Wroclaw. Johnny pegaria o voo de lá no sábado, Sarita de Varsóvia no domingo e eu de Wroclaw na segunda. Sara e Louise ficariam até o sábado, quando Sara seguiria seu mochilão e Louise voltaria pra Wroclaw, mas não para o hostel.
No último dia que estivemos lá, visitamos um café e trocamos boas risadas e ideias, desde cinema e literatura a filosofia e Línguas. Perto do hostel tinha um lugar que eu não sei o que era, devia ser um cinema alternativo, e em cima sempre estava escrito em cartaz: Nouvelle Vague! É tão gratificante comprovar, vivendo, tudo aquilo que aprendemos no colégio e na faculdade. Impressionante como a Europa respira cultura, na verdade, berço da civilização, a França, principalmente para as ciências humanas, legou muita coisa.
Fiquei meio melancólica em Berlim. Isso porque a volta já estava bem próxima e as imagens que eu tinha deixado guardadas dentro de mim em algum lugar começavam a voltar: meus pais, meu irmão, minha cadelinha, casa, quarto, minha cidade, amigos, calor, poucas roupas e soltas, língua portuguesa, verde, céu azul claro e nuvens, céu estrelado. Transpirava e suspirava nacionalismo com altas doses de ansiedade.
E quase não voltamos. É, tomamos o café da manhã e corremos para a estação de metrô. Tivemos que esperar alguns minutos a mais porque o trem que estava parado lá tinha quebrado. E estávamos com o tempo estourando: meia hora para pegar o trem de volta! Depois de paradas intermináveis dentro do metrô, chegamos à estação, enorme! Eu junto, já me sentia totalmente perdida, imagine só! Pelo menos umas três sacolas nada leves em cada mão, e uma mochila pesadíssima nas costas! Aquele dia fui a mulher de aço, porque achei que iria perder meus braços! Acho que nunca carreguei tanto peso na minha vida e não estou exagerando! Eu sempre e como sempre ficava pra trás! E parava pra descansar o braço por alguns segundos e reacomodar as sacolas na mão. Juro! Tive que abrir meu casaco e, embora o local estivesse muito gelado, eu só suava! Não chorei de dor por muito pouco! Faltavam 7 minutos para o trem sair...
- Ai meu Deus, onde é? – Por fim, disse Johnny.
- Ohh fuck! – Era o que nós duas dizíamos e, apesar da dor e do desespero, rindo!
E descemos e subimos pelo menos duas vezes a mesma escada rolante até supostamente achar o trem.
- Será que é esse? – Disse eu.
Entre a dúvida a certeza, a colombiana e o Johnny entram no trem, eu fico pra fora e a porta fecha! Começa o desespero! Até que acho um botão do lado e consigo a abrir de novo. E o tempo passando. Sai os dois pra fora, tentamos perguntar pra alguém em inglês, ninguém sabe falar ao redor. Alguém para receber no ticket do lado de fora? Ninguém! 1 minuto. Todos entram no trem. O trem vazio. Colocamos a cabeça pra fora da porta, na tentativa de ver alguém. E o trem parte.
- Noooooo!
(Risos e desespero eternos!) A porta que ligava o corredor às poltronas não parava de abrir e fechar.
- This is a ghost train! – Não havia ninguém no vagão.
De repente, um senhor aparece.
- is this train going to Wroclaw in Poland?
- Ahhh… No!
- Ooooh fuuuuuck! What do we do?! [Risos e desespero eternos! (2) ]
O único pensamento era: come back, come back!
- Ahhh Wroclaw? Yes, Yes!
Ufa!
Sentamos e, aos poucos, começamos a congelar! A calefação estava quebrada. A porta automática não parava de abrir e fechar. E ficamos ali por quase uma hora naquele frio de lascar! Até que alguém apareceu e disse que não deveríamos ficar ali. Éramos os únicos passageiros, espertos, daquele vagão fantasma. Mudamos, mas a calefação ainda continuava quebrada. O trem parou no meio do caminho para que tentassem consertar. A calefação, depois de metade do trajeto, começou a funcionar.
Senti sede e comi uma maça (resquício do café da manhã no hostel). Depois fui caçar água! Não é possível que numa viagem de cinco horas, não haja água no trem! Atravessei-o até o último vagão. Perguntou até para os mais jovens, mas não sabiam falar inglês. Senti-me um alién. Até que eu lembrei como falava água em Polonês, “woda”.
Enquanto isso, quando voltei, uma polonesa simpaticíssima conversava em polonês com o “garçom” e, em seguida, em inglês com os meus outros dois amigos. O rapaz disse que traria a água. Nesse meio tempo, ela fez questão de oferecer a garrafa que ela tinha comprado e só tinha dado um gole. Quando a necessidade fala mais alto, a gente aceita essas generosidades. Ahhh os poloneses são muito amáveis! Que povo mais prestativo!
Depois, conhecemos um australiano que estava no mesmo vagão que nós. Ele levava consigo uma prancha de snowboard enorme e dizia que ficaria na Europa por dois ou três meses, levando aquela prancha! Matamo-nos de rir de dó dele depois, se as sacolas já estavam difíceis, imagina aquele trambolho! Ele perguntou onde ficaríamos em Wroclaw. Todos com medo e caladas, a colombiana, então, respondeu que ainda não sabíamos. No final, depois de muita conversa, escapa que já estávamos hospedados em um lugar, o maior mico, choramos de rir no trem. Além disso, foi um momento muito gostoso, porque conversamos sobre quando decidimos ir para a Polônia e toda a expectativa e ansiedade da viagem. A Colômbia (Sara) é demais!
Resumindo Berlim, a sensação é de uma cidade grande perfeita onde tudo parece funcionar. São Paulo talvez daqui “mil” anos. Uma estação de metrô a cada esquina. Para amantes de grandes cidades, Berlim é a metrópole dos sonhos. Muito urbana. Se me atraiu? Prefiro algo alternativo ou mais antigo. Praga, mais mística, chamou-me muito mais a atenção.