Parte V
Ao final deste texto e de boas quatro horas diretas escrevendo essas cinco partes, digo que escrever um diário de viagem é extremamente cansativo e desgastante, mas, sobretudo prazeroso. Tentar lembrar o que se viveu, é reviver mais uma vez. Se as lembranças foram de bons momentos, rimos como se estivéssemos voltado por uma máquina do tempo, o coração dispara de felicidade, um sorriso gostoso brota no rosto, sentimos uma inexplicável e imensurável saudade; se foram ruins, sofremos de novo, a boca amarga, a saliva se esgota, os lábios secam, a garganta aperta, como estímulo, o organismo libera suores frios. O que há em comum nos dois momentos? A lágrima. De repente, lembro um detalhe a mais e volto para cima para encaixar ao texto. Os detalhes, quando a gente registra, seja por foto, vídeo, gravador, ou texto, a viagem permanece viva, mesmo que se passem cinquenta anos.
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| Estação de Trem em Wroclaw, uma quadra do nosso hostel |
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| Último dia em Brzeg |
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| A segunda vez no Ice Skating é bem melhor! |
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| Na mística e romântica Praga |
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| Minha piriguete tirando a canetinha do meu rosto |
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| Galera reunida para ver Wroclaw de cima |
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| Um dos primeiros dias esperando o bonde. Da esquerda para a direita: Cristin, Bruce, Claire e eu |
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| Banco de gelo no Market Square |
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Na hora do desespero até removedor de esmalte serve...
Só que não! |
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| Rynek durante a Market Square |
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| Segundo dia de aula |
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| Confraternização de Natal |
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| O dia que a Favela surtou hahahaha |
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| Wroclaw é a cidade dos gnomos |
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| All my bitches love me! <3 I also love you Louise! |
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| Primeiros dias: na rua das baladas |
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| Narguile com a Tati linda!! |
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| Obrigada pela lembrança enquanto estive ausente, seus lindos! |
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| Com os australianos na Favela |
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| E o Babel deu presentinhos para a gente |
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| Souvenires |
Senti que dezembro foi o mês que estávamos mais unidos e vivemos mais coisas, apesar de toda a euforia e os problemas da primeira e segunda semana. Foi um mês interminável, mas nem por isso péssimo, ao contrário. Lembro muito bem das escolas. A primeira um choque de realidade, meus alunos falavam melhor inglês do que eu. A segunda, mais suave, podia fazer da aula um bate-papo com os alunos e fui surpreendida com um punhado de perguntas no papel, feita por eles, de curiosidades sobre o Brasil. A terceira, uma das melhores em termos de crescimento em todos os sentidos para mim, apresentei 18 aulas sobre o Brasil com a brasileira em uma só semana e até “lutei” capoeira na sala com uma loirinha, minha aluna, que sabia cumprimentar em Português e fazia aula do esporte/luta/dança na Polônia. Fomos recebidos na comemoração de natal com Feliz Natal na lousa em Polonês, Chinês, Inglês e Português. Depois, assistimos a um teatro em polonês, traduzido simultaneamente pela professora.
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| Com minha aluna capoeirista no último dia na terceira escola |
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Feliz Natal em quatro Línguas!
Comemoração de Natal no último dia de aula |
Janeiro foi mais conturbado, mais expectativa, momentos finais. É quando a gente acorda e percebe que metade do intercâmbio já se foi e que aqueles dois meses que pareciam intermináveis, pareciam, quando vistos depois, como um final de semana, um sopro. Um dos intercambistas, uma das pessoas mais especiais para mim, abandonou o projeto antes de todos. Na primeira semana, em quatro aulas, fui em duas, uma faltei, porque não tinha voz, na outra, porque estava desanimada. Tão triste, a professora sabia até falar Português, assistira uma novela brasileira pelo Youtube e era super animada e perguntava para as outras intercambistas se eu iria no dia seguinte. E a quinta semana, que foi em Brzeg, na casa de família, também foi maravilhosa, devido as particularidades que teve, inclusive o rumo das aulas: além de Brasil e assertividade, jogos educativos! Ganhamos presentes em todas as escolas, com exceção da quarta semana, mas o maior presente, sem dúvida, foi a oportunidade e o aprendizado, que ninguém tira da gente.
Engraçado. Quanto mais eu queria que aqueles dez últimos dias passassem e ao mesmo tempo não passassem, mais eu os senti devagar. Já os 62 dias como um todo, quanto mais eu queria que não acabassem, mais rápido eles passaram, notamos algo óbvio: o tempo depende de como o percebemos. Não cheguei à conclusão de nada novo, talvez renovada para mim mesma, já dizia a sabedoria popular: “O tempo é muito longo para os que esperam e muito curto para os que festejam”.
Copio um monólogo privado deixado para um amigo:
“Pra quem convivia todos os dias, acordava e dormia com as mesmas pessoas do lado e de repente não falar mais é um tanto triste. E todas essas mudanças têm sido a primeira vez para mim, por isso não estava sabendo lidar direito. Confesso que eu estive meio melancólica essas duas primeiras semanas (depois dos primeiros dias de euforia por ter voltado), mas por sentir muitas saudades de todos! Já conversei com a Louise, com a Tati, com o João (eu falo direto com o Johnny lindo!), com a Colômbia! Eu até cheguei a desabafar com meus pais, porque quando a saudade não cabe mais no peito, transborda pelos olhos. Eu preciso aprender a desapegar de lugares e pessoas hahahahahaha mas gostar de gente legal que também gosta da gente é tão bom! Distância que é algo ruim! Wroclaw não podia ser minha cidade vizinha? Todo mundo não poderia morar perto?”.
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| "Ilha" em Wroclaw/Poland |
Frases que escrevi enquanto esperava meu voo para o Brasil:
“Nosso lar se encontra onde está nosso coração”.
“Valeu a pena, estou onde sempre quis estar”.
“Na vida, as decisões que tomamos são pautadas no momento. Assim, aquela foi a melhor escolha que você poderia ter tomado”. – frase dita de sábado para domingo pela intercambista brasileira que estava comigo.
Essa citação arremata bem. Foi exatamente isso, não tiraria e nem colocaria uma coisa a mais sequer nesses 62 dias de um sonho que, infelizmente e felizmente, chegava ao final.
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